Por que infraestrutura se tornou o centro da evolução do crédito
O financiamento de veículos encerrou 2025 com 7,3 milhões de unidades, o maior volume registrado em 14 anos, segundo a B3.
O financiamento de veículos encerrou 2025 com 7,3 milhões de unidades, o maior volume registrado em 14 anos, segundo a B3. Nos primeiros meses de 2026, o mercado continuou aquecido, impulsionado pela recuperação do consumo e pela maior oferta de crédito. O desafio agora é crescer com eficiência.
Quando se fala no custo do crédito, quase sempre a discussão se concentra na taxa de juros. Ela, sem dúvida, é um dos principais fatores que determinam quanto custa uma operação. Mas não é o único. Há uma série de custos menos visíveis, como processos manuais, retrabalho, validações, registros e integração entre sistemas, que impactam a eficiência operacional das instituições financeiras e ajudam a explicar por que conceder crédito ainda é mais caro e complexo do que poderia ser. Essa discussão costuma ser dominada por fatores como juros, inadimplência e política monetária. Todos são decisivos, mas existe um componente que permanece subestimado e que influencia diretamente o custo das operações, que é a infraestrutura que conecta cada etapa do crédito.
Antes que um financiamento seja contratado, há uma cadeia extensa de validações, formalização documental, registros, integração com órgãos públicos, conferências cadastrais e gestão das garantias. Sempre que esses processos dependem de informações descentralizadas ou intervenções manuais, aumentam o retrabalho, as inconsistências e os custos operacionais.
Em operações isoladas, esses atritos parecem pequenos, mas em um mercado que movimenta milhões de contratos por ano, tornam-se um fator relevante de produtividade. Essa percepção, no entanto, já vem mudando dentro do próprio setor financeiro. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, os bancos destinaram cerca de R$ 47,8 bilhões para tecnologia em 2025, alta de 13% em relação ao ano anterior. O investimento deixou de estar concentrado apenas na experiência do cliente e passou a priorizar automação, integração de sistemas, inteligência de dados e modernização da infraestrutura operacional.
O movimento reflete uma mudança importante e o motivo é simples, a produtividade não depende apenas da velocidade com que uma operação é aprovada, mas da capacidade de processá-la do início ao fim com segurança, rastreabilidade e o menor número possível de exceções.
Foi essa lógica que permitiu ao Pix transformar a infraestrutura de pagamentos no país. O mesmo princípio orienta iniciativas como o Open Finance e a evolução do Marco Legal das Garantias, que consiste em reduzir assimetrias de informação, aumentar a interoperabilidade entre sistemas e criar uma base mais eficiente para que o crédito circule.
Na prática, isso significa olhar para um aspecto que raramente aparece nas discussões públicas que é a qualidade da informação. Quanto mais estruturados e integrados são os dados desde a origem da operação, menor a necessidade de conferências manuais, correções posteriores e reprocessamentos. O resultado é uma cadeia mais previsível para instituições financeiras, reguladores e consumidores.
Essa também é uma tendência internacional. O Banco Mundial vem defendendo que a infraestrutura financeira digital, composta por sistemas interoperáveis, identidade digital, registros eletrônicos e compartilhamento seguro de dados, é um dos principais instrumentos para reduzir custos de transação, ampliar a inclusão financeira e aumentar a competitividade dos mercados. Em outras palavras, antes de inovar na superfície, é preciso fortalecer a base sobre a qual o sistema opera.
Durante muitos anos, a inovação no setor financeiro foi medida pela criação de novos produtos e canais digitais. Nos próximos anos, ela será medida, cada vez mais, pela capacidade de eliminar ineficiências invisíveis. Com margens pressionadas e volumes crescentes, reduzir etapas, integrar informações e simplificar processos se torna uma estratégia de negócios.
No fim, crédito mais eficiente começa, de fato, na infraestrutura. Não porque ela apareça para o consumidor, mas justamente porque é ela que determina a capacidade de todo o sistema de crescer com menos atrito, mais produtividade e maior competitividade.
Quando se fala no custo do crédito, quase sempre a discussão se concentra na taxa de juros. Ela, sem dúvida, é um dos principais fatores que determinam quanto custa uma operação. Mas não é o único. Há uma série de custos menos visíveis, como processos manuais, retrabalho, validações, registros e integração entre sistemas, que impactam a eficiência operacional das instituições financeiras e ajudam a explicar por que conceder crédito ainda é mais caro e complexo do que poderia ser. Essa discussão costuma ser dominada por fatores como juros, inadimplência e política monetária. Todos são decisivos, mas existe um componente que permanece subestimado e que influencia diretamente o custo das operações, que é a infraestrutura que conecta cada etapa do crédito.
Antes que um financiamento seja contratado, há uma cadeia extensa de validações, formalização documental, registros, integração com órgãos públicos, conferências cadastrais e gestão das garantias. Sempre que esses processos dependem de informações descentralizadas ou intervenções manuais, aumentam o retrabalho, as inconsistências e os custos operacionais.
Em operações isoladas, esses atritos parecem pequenos, mas em um mercado que movimenta milhões de contratos por ano, tornam-se um fator relevante de produtividade. Essa percepção, no entanto, já vem mudando dentro do próprio setor financeiro. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, os bancos destinaram cerca de R$ 47,8 bilhões para tecnologia em 2025, alta de 13% em relação ao ano anterior. O investimento deixou de estar concentrado apenas na experiência do cliente e passou a priorizar automação, integração de sistemas, inteligência de dados e modernização da infraestrutura operacional.
O movimento reflete uma mudança importante e o motivo é simples, a produtividade não depende apenas da velocidade com que uma operação é aprovada, mas da capacidade de processá-la do início ao fim com segurança, rastreabilidade e o menor número possível de exceções.
Foi essa lógica que permitiu ao Pix transformar a infraestrutura de pagamentos no país. O mesmo princípio orienta iniciativas como o Open Finance e a evolução do Marco Legal das Garantias, que consiste em reduzir assimetrias de informação, aumentar a interoperabilidade entre sistemas e criar uma base mais eficiente para que o crédito circule.
Na prática, isso significa olhar para um aspecto que raramente aparece nas discussões públicas que é a qualidade da informação. Quanto mais estruturados e integrados são os dados desde a origem da operação, menor a necessidade de conferências manuais, correções posteriores e reprocessamentos. O resultado é uma cadeia mais previsível para instituições financeiras, reguladores e consumidores.
Essa também é uma tendência internacional. O Banco Mundial vem defendendo que a infraestrutura financeira digital, composta por sistemas interoperáveis, identidade digital, registros eletrônicos e compartilhamento seguro de dados, é um dos principais instrumentos para reduzir custos de transação, ampliar a inclusão financeira e aumentar a competitividade dos mercados. Em outras palavras, antes de inovar na superfície, é preciso fortalecer a base sobre a qual o sistema opera.
Durante muitos anos, a inovação no setor financeiro foi medida pela criação de novos produtos e canais digitais. Nos próximos anos, ela será medida, cada vez mais, pela capacidade de eliminar ineficiências invisíveis. Com margens pressionadas e volumes crescentes, reduzir etapas, integrar informações e simplificar processos se torna uma estratégia de negócios.
No fim, crédito mais eficiente começa, de fato, na infraestrutura. Não porque ela apareça para o consumidor, mas justamente porque é ela que determina a capacidade de todo o sistema de crescer com menos atrito, mais produtividade e maior competitividade.
Autor: Por Cristiano Dantas, diretor de Negócios da Tecnobank | Publicação:
28/08/2026