Compliance: entenda o que é, como aplicar e seus benefícios

Compliance. O código de conduta que oferece transparência, integridade e gestão de risco, além de proteger a reputação da sua empresa.

Compliance: entenda o que é, como aplicar e seus benefícios

Compliance: conheça os passos para implementar o programa e proteger a reputação do seu negócio

Um programa efetivo de Compliance fortalece a cultura, impulsiona os negócios e protege a reputação empresarial. Além disso, pode ser também um diferencial no mercado, trazendo diversos benefícios para a marca.

Entenda agora o conceito de Compliance, conheça vantagens, desafios e dicas para começar a implementar o programa de conformidade. Tudo isso nos próximos parágrafos. Vamos lá!

O que é o Programa Compliance

A palavra Compliance quer dizer “estar em conformidade com”, acatar, cumprir o que foi determinado, comprometer-se com a integridade. No universo corporativo, significa preservar essa equidade e a resiliência de colaboradores e gestores, pela execução rigorosa da legislação à qual são submetidos e aplicação de princípios éticos nas suas tomadas de decisões.

Em outras palavras, uma organização “em Compliance” garante que sua estrutura e seus indivíduos estejam dentro das normas éticas, das leis aplicadas. Com isso, constrói uma política que ajuda a evitar fraudes.

Cabe ao programa de Compliance, por exemplo, formular expectativas para o comportamento dos funcionários, contribuindo com o foco nos objetivos da empresa e potencializando o correto funcionamento das operações.

Do contrário, a companhia pode causar um verdadeiro caos em suas rotinas, além de atos inúteis e/ou antiéticos. Negligenciar essa questão é capaz, ainda, de levar a multas federais, ações legais e até fechamento do negócio.

Quais os principais benefícios

Como você viu na definição de Compliance, ter um programa sério nesse sentido traz inúmeras vantagens. Veja os detalhes:

Aumento de eficiência

Com a redução de desconformidades e da incidência de fraudes, há queda em: desvios de recursos; riscos de sanções legais, prejuízos financeiros e perda da reputação. Os benefícios incluem, também, melhora na qualidade das decisões, reduzindo o custo operacional. Tudo isso impacta diretamente a eficiência da gestão e a performance da companhia.

Maior produtividade

Uma cultura empresarial ética influencia a integridade dos colaboradores, diminuindo a chance de comportamentos inadequados. É bom lembrar que o nível de satisfação das pessoas, de comprometimento e rendimento do trabalho, é mais significativo onde existe uma cultura ética forte. Resultado: ganhos no ambiente organizacional e na retenção de talentos.

Manutenção da integridade civil e criminal

Outra vantagem do Compliance é reduzir o grau de exposição e a responsabilidade da alta administração em relação a potenciais práticas irregulares ou ilegais de seus funcionários.

Vantagem competitiva

Cada vez mais, a sociedade global exige posturas e ações empresariais que reflitam valores como consumo sustentável e ético. Por esse motivo, o Compliance é uma importante estratégia de competitividade e interesse.

Atração de investimentos

Especialistas neste ramo aplicam seus recursos em empresas sólidas, com probabilidade mínima de envolvimento em escândalos.

Os benefícios acima têm papel fundamental no valor de mercado das companhias. Mas é preciso encarar alguns obstáculos. Confira a seguir.

Quais os principais desafios

Criar uma cultura de Compliance não está livre de contratempos. Abaixo, você pode ver alguns deles:

Mudar a cultura

A primeira dificuldade é a própria mudança de mentalidade, que requer fortes habilidades de liderança e uma estratégia clara. Nesse cenário, comunicação e treinamento podem favorecer o engajamento.

Na prática, o processo envolve fornecer exemplos de violações e estabelecer padrões que sirvam de norte nas rotinas de trabalho. Com o empenho de todos, responsáveis pelo programa de Compliance e proprietários da empresa, é possível transformar as ideias e costumes.

Falta de uma avaliação de riscos eficiente

É essencial ter certeza do entendimento da gama de riscos de conformidade de cada departamento; enumerar as ameaças com maior potencial para danos legais, financeiros, operacionais ou de reputação.

Ausência de atividades de controle

O monitoramento da eficácia de um programa de Compliance é imprescindível. Todo colaborador novo, ainda não adaptado à sua cultura organizacional, representa um risco.

Monitore as alterações nos padrões de conformidade para atualizar seu programa; integrar relatórios, controles e procedimentos auxilia na identificação de riscos e permite a auditoria.

Compliance: Como aplicar nas empresas

De modo geral, o Compliance é aplicado nas empresas criando políticas e procedimentos e, depois, definindo um departamento para garantir que eles sejam seguidos. O que vale para negócios de todos os portes.

O responsável por isso deve ter um conjunto diversificado de habilidades, uma vez que o programa atinge todos os departamentos de alguma forma. A função exige compromisso de tempo e disposição para aprender tudo o que for necessário para manter a corporação na linha. Aqui estão as dicas para começar:

O primeiro passo na adoção de um sistema de Compliance é entender, de fato, o seu valor, isto é, assimilar que o respeito às regras é real, e não apenas demagogia ou marketing.Feito isso, é fundamental analisar os riscos, para compreender os principais desafios da empresa. Isso ajuda a visualizar quais esforços devem ser prioritários.Na etapa seguinte, é hora de criar políticas e processos de controle para reduzir as ameaças.Com todas as definições muito claras, invista nas ações de comunicação interna e treinamento.Faça auditorias periódicas, que funcionam como prevenção, além daquelas motivadas por denúncias, caso ocorram.Tenha em mente que o ciclo é contínuo, dinâmico, não uma tarefa pontual. Revise seu Compliance de tempos em tempos, e quando o contexto exigir – seja devido ampliação na empresa, nova parceria ou lei, etc.

A implementação do Compliance no cenário brasileiro

A sociedade como um todo precisa trabalhar com a adesão às boas práticas de conduta ética e cumprimento de normas e regulamentos. Não cabe somente às empresas de capital aberto, como se pensava até pouco tempo atrás.

Ou seja, entidades associativas, companhias de capital fechado, escolas, sindicatos, órgãos governamentais, hospitais públicos e quaisquer outras instituições devem despertar para a implantação de um programa de Compliance.

Infelizmente, isso nem sempre acontece. E são inúmeros os vícios de processos e atuações relaxadas. O Brasil está longe de ser uma referência mundial em matéria de corrupção. De acordo com a ONG Transparency International, nosso país é o 105º menos corrupto, entre 180 nações e territórios.

Em números, perdemos cerca de R$ 200 bilhões para a corrupção anualmente, segundo estimativa do Ministério Público Federal. O Compliance é uma das alternativas para mudar esse cenário, para promover mudanças.

Não podemos ser ingênuos sobre o triângulo da fraude ao qual o ser humano é sujeito: necessidade, racionalidade e oportunidade. Portanto, fica o alerta para sua empresa não descuidar do Compliance, pois a reputação é um dos seus patrimônios mais preciosos. Hoje, você viu por onde começar. Sucesso!